De origem basca, o performer Mikel Balerdi é um artista que dedica sua vida ao mundo da pintura, das tatuagens e da suspensão corporal, utilizando o próprio corpo como meio de expressão artística. Escolheu o caminho da arte corporal extrema como forma de transgressão e manifestação pessoal, desafiando limites físicos e estéticos.
Além disso, Mikel é amplamente conhecido entre os amantes do cinema extremo por ser o diretor de “Larva Mental”, um filme que alcançou grande sucesso no circuito underground e gerou muita discussão por conter cenas de violência real, executadas pelo próprio Mikel em si mesmo.
Mais adiante, quero dedicar um artigo exclusivo sobre “Larva Mental” e outro sobre outro filme altamente controverso de sua autoria, aprofundando a análise dessas obras que desafiam tanto o corpo quanto a mente do espectador.
Hoje vamos falar da última obra de Mikel, lançada há pouco tempo chamada “Branquias”.
Brânquias, o filme que abalou as entranhas do cinema underground, está cruzando fronteiras, graças ao apoio incondicional de todos aqueles que amantes do cinema underground e extremo.
Protagonizado pelos famosos youtubers espanhóis ROTTEN e SÍNKOPE em colaboração com Lex Ortega, Brânquias não é apenas um filme. É uma experiência visceral, uma deformação sensorial que rasga o convencional e dá uma bofetada no bom gosto. Trata-se de uma obra que inaugura um novo caminho dentro do cinema extremo e experimental, rompendo com tudo o que se espera de uma narrativa cinematográfica.

Uma Experiência que Vai Além do Gore
Com uma duração de apenas 1 hora, desde os primeiros minutos, o espectador é tragado pela atmosfera opressiva e cria empatia imediata com os protagonistas interpretados pelos youtubers citados anteriormente RottenMind, com destaque especial em Rotten, que entrega uma performance crua, dolorosa e incrivelmente convincente.
A trama, embora simples, mergulha profundamente na condição física e psicológica do protagonista Edgar, um homem em acelerada decomposição corporal. O que poderia soar grotesco, aqui se transforma em uma metáfora perturbadora e profundamente humana.
Técnica, Corpo e Horror
Tecnicamente, Mikel Balerdi se destaca na direção de câmera, demonstrando domínio absoluto da linguagem visual. Porém, o verdadeiro destaque são os efeitos práticos: realistas, brutais, desconfortáveis e bem executados.
As expressões de dor realistas, os gritos dilacerantes de Rotten e a maneira como o corpo é apresentado em constante colapso físico conferem um nível de intensidade raramente visto no cinema atual.
A fotografia e a trilha sonora trabalham em perfeita sintonia, elevando a experiência sensorial ao limite e mergulhando o espectador nas entranhas dessa jornada decadente. Algumas cenas, especialmente uma em particular, são tão viscerais que chegam a ser difíceis de assistir e isso, dentro do cinema extremo, é um mérito.

Muito Além do Horror Corporal
Apesar do evidente enfoque no body horror, “Brânquias” não se limita à estética da mutilação e da carne. O filme funciona sobretudo como uma crítica social potente, gritando contra o estado de desintegração coletiva deixado pela pandemia do coronavírus. A decadência física do protagonista ecoa o colapso emocional, político e humano de uma sociedade à beira do abismo.
Sem dúvida, este é um dos trabalhos mais impactantes e refinados de Mikel Balerdi, que mais uma vez demonstra ser um artista sem limites e visionario. Extremamente versátil, ele utiliza todos os recursos do corpo ao som, da dor à imagem — para criar arte onde poucos ousariam olhar.
“Brânquias” não é para todos. Mas para quem busca a verdadeira essência do cinema extremo, essa obra é obrigatória.
O que mais me impressiona em Mikel Balerdi é a coragem de ser ele mesmo, sempre. Em um mundo onde muitos artistas se moldam às expectativas do público ou do mercado, Mikel escolhe conscientemente o caminho mais arriscado: o de romper todos os limites, mantendo sua identidade artística intacta. Ele não usa o extremo por pura provocação gratuita — ele o usa como ferramenta legítima de expressão, para mostrar a dor, a agonia e a decadência de forma crua, honesta e intensa. É essa entrega total, com o corpo, a mente e a arte, que faz de Mikel uma figura única dentro do cinema extremo contemporâneo.
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