Eve abre a porta da frente da casa recém-comprada que divide com sua namorada Charlie. No batente, uma família de cinco pessoas pede para entrar, para que o pai possa mostrar aos filhos o lar em que cresceu. Eve, que tem problemas seríssimos com conflitos e com a palavra “não”, acaba os deixando entrar. A visita se estende para além do esperado quando a insuportável Jenny, filha do casal, decide se esconder no porão.
Este início foi capaz de me arrancar arrepios familiares à angústia de assistir Mãe!, de 2017 – que aliás, segue interminado por falta de coragem da minha parte –, e me questionei se seria capaz de finalizar a leitura do livro. Em um desses arrepios, joguei o livro longe e assim ele ficou por mais de um mês. O dever – ou a promessa – de escrever uma resenha me devolveu à leitura. Nada poderia ter me preparado para o que eu leria a seguir.
Como o terror de confinamento se atualiza
A escrita fluida de Kliewer e a estrutura do livro, que intercala capítulos da história de Eve com documentos misteriosos recolhidos da internet, me guiaram por 300 páginas – excluindo as 80 que eu já havia lido – em apenas uma manhã. A obra é um quebra-cabeça que consegue manter o leitor tão desorientado e tão curioso quanto a protagonista. As minúcias são instigantes e nos levam a continuar lendo, buscando as respostas (que às vezes não chegam!).
A história foi lançada em capítulos no Reddit, no fórum /NoSleep, e lá ganhou o prêmio de História Mais Assustadora, em 2021. Em junho de 2024, foi publicada no Canadá sob o título de “We Used to Live Here”. No Brasil, foi lançado em meados de setembro de 2025 pela editora Intrínseca, que foi gentil em nos mandar alguns exemplares.

Se você gosta de teorias da conspiração, de teorizar sobre obras ficcionais e de sentir profunda angústia com histórias, esse livro é para você.
Você pode adquirir Nós já moramos aqui no site da Editora Intrínseca.
Livro: Nós já moramos aqui
Autor: Marcus Kliewer
Editora: Intrínseca
Páginas: 300
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